Panteão de Agrippa

“No espantoso espaço do Panteão, primeiramente senti paixão, a forte capacidade da arquitectura envolver todos os sentidos. Todos os dias, a sua aparência mudava dramaticamente a luz que passava através do óculo aberto. Nas manhãs chuvosas, a luz reflectia-se nas gotas da água da chuva que caíram lentamente sobre o chão […]. Num dia nebuloso seduzia a luz proveniente do grande orifício, a neblina torna a luz ainda mais visível, como que de um cilindro sólido de luz do sol matinal se tratasse. […] A sua silenciosa clareza, organizada pela luz e pela sombra, abrangeu a minha imaginação com esta abstracta e invertida noção de espaço interior e exterior.” (BENCHECI, 2014, p.77 apud HOLL, 1994, p. 22)

História

A construção deste templo, além de notável, possui uma história que é motivo de opiniões diversas entre os estudiosos e arqueólogos.

A história que é mais aceita entre todos é que o Panteão foi “construído duas vezes”. Durante o terceiro consulado de Agrippa e também período em que Augusto era imperador o Panteão começou a ser construído em torno de 27 a.C. Acredita-se que sua finalidade era ser um templo dedicado a Júpter. Por volta de 80 d.C essa edificação sofreu um terrível incêndio que quase o destruiu. (SERPENTINI, 2014)

A segunda construção na verdade foi uma reconstrução feita em 120 a.C, durante o império de Adriano, que teria sido o arquiteto responsável. Adriano teria feito muitas mudanças no projeto original do Panteão, inclusive a quem ele era dedicado. Seu nome significa “Templo de todas as divindades”, além de demonstrar a importância e o poder de Adriano como imperador. (ARTEANDO, 2010)

Com o passar de algumas décadas o Império Romano passou por uma fase de adaptação sobre suas crenças, se fragmentando até ser extinto, o Cristianismo se prevaleceu e virou potência, muitas obras foram entregues aos cristãos o panteão foi uma delas. Em 609 d.C. foi entregue a Igreja Católica para que pudessem realizar seus rituais, cerimônias e missas cristãs. Devido a isso hoje é um dos templos romanos, senão o único, que se encontra em melhor estado de conservação. (SERPENTINI, 2014)

Importância dentro do conjunto urbanístico

Como os demais templos construídos durante o Império Romano, o Panteão também possuía sua importância no espaço urbano de Roma, e demonstra sobre tudo o poder da capital do império.

Diferente dos construtores de templos da republica, os sucessores de Augusto não construíam mais templos por vitórias em batalhas e sim para si mesmos. Até Augusto construiu um templo para seu pai adotivo, Divus lulus, no Forúm Romano e 60 anos depois foi “santificado” e teve seu próprio templo no mesmo lugar. Porém os Deuses não foram esquecidos, muitas dessas edificações eram feitas para deuses estrangeiros ou inovadores a seu modo. (ROSA, 2008, p. 19)

No centro de Roma ficava localizado o Forúm Romano, uma espécie de praça central do poder e era a partir dele que toda cidade era organizada. Ao seu redor a cidade crescia e novas construções eram feitas, como os templos. A concepção romana de templo é a relação entre o solo e seu espaço no céu, assim o templo era formado pelo edifício e a praça de acesso que possuía o altar em que aconteciam os rituais. (HORVAT, 2008, p.77) Essa concepção também foi aplicada no Panteão.

Representação da Praça do Panteãopanteao praçaFonte: Los Lugares Tienes Memoria, 2014.

Atualmente o Panteão não possui mais a praça cercada por colunas, somente a Piazza della Rotonda e ao centro a Fontana del Pantheon. Infelizmente a praça subiu o nível e soterrou o pódio que esse templo possuía.

Roma é cortada pelo Rio Tibre, mas ele não chega a passar perto do Panteão. O clima predominante é o mediterrâneo e curiosidade a respeito do clima é que pesquisadores da Universidade de Harvard e de instituições europeias realizaram estudos indicando que um dos fatores que contribuíram para a queda do império foram as mudanças climáticas, passando de um clima quente e chuvoso para seco e frio, o que afetou a agricultura e consequentemente a inflação. (MIOTO, 2011)

Mapa da Roma Antiga indicando a localização do PanteãomapaFonte: Le Roux, 2013.

Um fator importante nas construções romanas, incluindo no Panteão, era o tipo de solo no qual seria feita a sua fundação. Roma fica localizada em uma área na qual há a predominância do solo arenoso de origem vulcânica. Esse tipo de solo não proporciona sustentação para as construções, então era necessário a utilização de madeira para revestir as valas, dando forma ao concreto e sustentando os grandes templos, evitando maiores problemas. (KAEFER, 1998, p.12)

Técnicas Construtivas e Arquitetônicas

O Panteão é um monumento grandioso que até os dias de hoje impressiona as pessoas que o visitam.

Esta construção ícone de engenharia e arquitetura é a mais bem conservada de sua época, isto se dá ao fato de ter sido transformada de templo para igreja, o que a poupou de ser expostas aos vandalismos e destruições no período medieval.

Para sua construção foi necessário um planejado sistema de suporte com mais de sete metros de profundidade.

Devido ao solo instável em que o Panteão foi construído, um problema de suporte surgiu, na época este problema foi resolvido com a construção de um segundo anel estrutural na base, sobre o primeiro para segurá-lo, e assim não provocar mais rachaduras. Além disso, foram anexadas paredes contrafortes em frente à varanda, que serviram de fixação. Embora pareça ser um espaço adicional tem apenas o propósito de fazer parte da braçadeira.

O concreto utilizado na construção, na verdade, é uma mistura de material pozolânico, o nome é proveniente da região italiana de Pozzuoli onde se encontra cinzas vulcânicas, e outros agregados leves, como a pedra pomes. Foram utilizadas mais de cinco mil toneladas de concreto em toda a construção.

A primeira estrutura ao adentrar-se ao Panteão é o seu pórtico, que possui três fileiras de colunas, a primeira fileira horizontal com oito, e as duas demais com quatro cada, totalizando dezesseis colunas. Feitas de granito Assuã provenientes de Mons Claudianus em montanhas do leste do Egito, são de ordem coríntia, a mais utilizada pelos romanos, e possuem 11,8 metros de altura e 1,5 metros de diâmetros, pesando 60 toneladas.

Planta do Panteãoplanta panteaoFonte: Arquitetura Clássica, 2014.

Acima dessas colunas encontra-se o frontão, com telhado de duas águas e estrutura composta de treliças de madeira robusta e ligações metálicas. É valido ressaltar que o seu tímpano já foi adornado por algumas esculturas, logo acima da inscrição de bronze M.AGRIPPA.L.F.COS.TERTIVM.FECIT que significa “Marco Agrippa, filho de Lucio, cônsul pela terceira vez, construiu”.

Sob o suporte estrutural foram erguidas em formato cilíndrico as paredes que sustentam a cúpula do panteão. No seu interior há um complexo sistema de abóbadas e arcos.

Essas paredes contêm diversas cavidades com a função de reduzir os materiais na construção. Feitas de concreto, foram igualmente espaçadas por oito nichos que abrigavam interiormente, as estatuas dos deuses ao qual o Panteão era dedicado.

A composição da parede varia, sendo que na parte inferior perto do nível do chão foram utilizadas camadas alternadas de fragmentos de travertino e fragmentos de tufa em uma mistura de cal e pozolana, no meio da parede foram alternadas camadas de tufa e tijolos quebrados também na mesma massa, e no nível mais alto da parede usaram-se predominantemente tijolos quebrados em argamassa.

Logo em seguida, é notória a grande rotunda que compõe o Panteão, seu acesso se dá pelo par de portas de bronze de 6,4 metros e com 20 toneladas cada, da qual um dia já foram cobertas por ouro, com um portal de madeira revestida de bronze, uns dos mais antigos de Roma.

O diâmetro da rotunda é de 43,3 metros que corresponde também a sua altura, ou seja, o Panteão tem a forma de uma esfera perfeita. “O Panteão é projetado na forma de uma esfera inscrita dentro de um cilindro.” (SEMES, 2004).

Estrutura do panteão e exemplificação da esfera perfeita.
estrutura panteaoFonte: Arquitetura Clássica, 2014.

No interior, a grande cúpula do Panteão é formada por 140 caixotões, chamado cofres, alinhados em cinco fileiras horizontais com vinte e oito caixotões em cada, todos revestidos de bronze e banhados a ouro. O tamanho desses caixotões diminui à medida que eles se aproximam do óculo, o que causa a sensação da cúpula ser maior do que realmente ela é. Além de esses caixotões serem utilizados esteticamente também foram utilizados estrategicamente com o intuito de reduzir a quantidade de concreto na construção.

Vista da cúpula do panteãocupula panteaoFonte: Arquitetura Clássica, 2014.

A cúpula possui uma abertura central na parte mais alta chamada de óculo, esta abertura tem 9 metros de diâmetro, o que permite a entrada de luz e chuva pelo zênite. Por este motivo, o piso é ligeiramente inclinado para que a água escoe em uns dos 22 buracos distribuídos no chão.

A espessura e a densidade do concreto na cúpula variam, diminuindo da base das paredes, com aproximadamente 5,9 metros de espessura, até o óculo, cerca de 1,5 metros de espessura, isso foi possível com uso de diferentes agregados (calcário, carvão, tijolos e pedra pome) no concreto.

 O interior do panteão, todo em mármore e com detalhes em ouro, foi adornado e decorado com muito refinamento e perfeição. O uso de formas geométricas presentes nas estruturas da construção, também podem ser observados no piso interior do Panteão, que forma um mosaico de círculos e quadrados.

Interior do Panteãointerior panteaoFonte: Arquitetura Clássica, 2014.

O Panteão proporciona através de sua arquitetura uma sensação sagrada, sua verticalidade cria um cenário em que coloca o homem frente à imensidão do céu. Pois este era o objetivo do Panteão, trazer o céu para terra, uma vez que para os romanos a esfera não representava somente a perfeição, mas o também o céu.

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Referências

ALCHIN, Linda. Panteão. Disponível em: <http://www.tribunesandtriumphs.org/roman-architecture/roman-pantheon.htm&gt;. Acesso em: 11 de maio de 2015.

ARTEANDO. Panteão de Roma. 2010. Disponível em: <http://arteando.fiz.art.br/2010/08/panteao-de-roma/&gt;. Acesso em: 11 de Maio de 2015.

BENCHECI, Natalia. Viagens de arquitectura: o Panteão de Roma e o Museu La Congiunta. Revista Arquitectura Lusíada, N. 5 (1.º semestre 2014): p. 75-88.

DUARTE, Maria Dolores. O Panteão de Agripa: Templo romano dedicado ao culto pagão sobreviveu graças ao cristianismo. 2009. Disponível em: <www.http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia&gt;. Acesso em: 11 de maio de 2015.

GLANCEY, Jonathan. História da arquitetura. São Paulo: Loyola, 2001, p 30-31.

HELENE, P. R. L.; LEVY, S. M. ‘ESTADO DA ARTE’ DO CONCRETO COMO MATERIAL DE CONSTRUÇÃO. Disponível em: <www.uninove.br/PDFs/Publicacoes/exacta>. p. 111-113. Acesso em: 11 de maio de 2015.

HORVAT, P. V. v. B. O Templo de Vesta e a ideia romana de centro do mundo. In: CANDIDO, Maria R. Roma e as sociedades da Antiguidade: política, cultura e economia. Rio de Janeiro: NEA/UERJ, 2008, 114p.

KAEFER, L. F. A Evolução do Concreto Armado. São Paulo, 1998. Disponível em: <http://www.lem.ep.usp.br/pef605/Historiadoconcreto.pdf&gt;. Acesso em: 15 de Maio de 2015.

MIOTO, R. Mudanças climáticas ajudaram queda do Império Romano. Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 de Janeiro de 2011. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/860448-mudancas-climaticas-ajudaram-queda-do-imperio-romano.shtml&gt;. Acesso em: 11 de Maio de 2015.

MOORE, David. The Pantheon. 1999. Disponível em: http://www.romanconcrete.com. Acesso em: 11 de maio de 2015.

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ROSA, C. B. da. Arte, religião e poder na Roma Antiga: Inovações e conservadorismo na Republica Tardia. In: CANDIDO, Maria R. Roma e as sociedades da Antiguidade: política, cultura e economia. Rio de Janeiro : NEA/UERJ, 2008, 114p.

SANTARPIA, Giovanni Milani. Architecture of the Pantheon. Disponível em: http://www.mariamilani.com/. Acesso em: 11 de maio de 2015.

SEMES, Steven W. The Architecture of the Classical Interior. New York: W.W. Norton, 2004.

SERPENTINI, V. O Panteão Romano. 2014. Disponível em: <http://www.arquiteturaclassica.com.br/o-panteao-romano/&gt;. Acesso em: 11 de Maio de 2015.

TROVATO, Viviana. O Panteão Romano. 2015. Disponível em: <www.janelaitalia.com/o-panteao-romano>. Acesso em: 11 de maio de 2015.

VITALI, Conrado. ANTES DE DEIXAREM ROMA, ESTUDANTES DO PROJEÇÃO FORAM AO PANTHEON. Disponível em: < http://www.faculdadeprojecao.edu.br/br/noticia/NoticiaIntegra.aspx?idn=1054  >. Acesso em: 11 de maio de 2015

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