Arquitetura Renascentista

Como vimos no post anterior, O artista renascentista e seu cliente, chegamos ao Renascimento, um movimento desenvolvido entre os século XV e XVIII. Este período foi denominado como Renascimento pois tinha a intenção de sugerir o renascer, o reviver dos ideais greco-romano. Porém esta nomenclatura não é tão correta, pois durante a Idade Média o interesse pelo clássico não havia desaparecido.

As pessoas desta época eram guiadas por um pensamento humanista de valorização do ser humano e da natureza, ao invés do divino e sobrenatural. E após viverem o que eles consideravam o período das “Trevas”, na Idade Média, onde a igreja era a intermediária do conhecimento, eles passaram a estudar a Antiguidade, pois acreditavam que lá estava o conhecimento “puro”.

Como se sabe, os movimentos não surgem, vão se desenvolvendo ao longo do tempo, assim foi com o Renascimento, por isso este período pode ser classificado em três fases de sua evolução, o Trecento (século XIV), o Quattrocento (século XV) e o Cinquecento (século XVI). Na arquitetura ele se desenvolveu em duas fases, a primeira na região da Florença no período Quattrocento, a segunda conhecida como alto-Renascimento em Roma no período Cinquecento.

O período correspondente ao Trecento, também é conhecido como Proto-Renascimento, é nesta fase em que surge algumas características novas que mais tarde se tornariam parte de um novo estilo. Giotto di Bondone, ou simplesmente Giotto, é considerado o precursor deste movimento através da noção de perspectiva que é possível notar em seu quadros.

Mas é no Quattrocento que o pensamento renascentista chega à arquitetura. No ano de 1401, um concurso para esculpir a porta do batistério de San Giovanni de Florença foi lançado, neste concurso dois nomes se destacaram Ghibert e Brunelleschi, a disputa entre os dois foi decidida por uma representação de uma passagem bíblica esculpida, tendo como vencedor Ghibert. Um concurso importante para a introdução do Renascimento na arquitetura, que ocorreu alguns anos depois.

Posteriormente Ghibert também assumiria outro trabalho, a “Porta do Paraíso”, onde empregou uma nova técnica de relevo que permitia dar perspectiva a suas representações.

Após perder o concurso da porta do batistério, Brunelleschi foi a Roma estudar os ideais greco-romanos, e quando retornou venceu em 1418 um concurso para a construção da cúpula da catedral de Santa Maria Del Fiore, era um trabalho muito importante pois a catedral era símbolo de riqueza e prosperidade para a cidade, além disso, Brunelleschi se tornaria o primeiro arquiteto a expressar os ideais do Renascimento na arquitetura.

Para os renascentista, uma boa arquitetura estava relacionada ao uso das ordens da Antiguidade Clássica, e da ideia de beleza alcançada através da proporção. Era nisso que consistia a sua essência, atingir uma harmonia inteligível alcançada através do uso da proporção. No Renascimento, as ordens eram consideradas a representação de toda a sabedoria adquirida pela humanidade na Antiguidade no quesito arquitetura, e por isso havia a necessidade de usá-las. Para um edifício ser considerado clássico era necessário que este tivesse algum elemento que fizesse referência as ordens da Antiguidade.

Neste período novos tratados de arquitetura foram escritos, e com isso as cinco ordens foram concretizadas, como já vimos, o primeiro tratadista a escrever sobre as ordens clássicas foi Vitrúvio em I a.C., porém seu tratado descrevia apenas três ordens: a dórica, a jônica e a coríntia, uma quarta ordem também foi citada em seu tratado, a toscana. Mas é só no Renascimento que o estudo das ordens da Antiguidade Clássica volta a ser tão discutido, e com isso surgem novos tratados. A quinta ordem, a compósita, só foi descrita e apresentada muitos anos depois de Vitrúvio, pelo primeiro tratadista renascentista, Alberti. E o sentido canônico conferido as ordens no Renascimento foi graças ao tratado de Serlio. Além deles, outros nomes como Palladio e Vignola também ficaram conhecidos por seus tratados de arquitetura.

A importância destes tratados, especialmente o de Serlio, está no fato dele apresentar as regras que deviam ser seguidas para a utilização das ordens na arquitetura, pois não se podia copiá-las, mas sim projetá-las de modo que mantivessem sua essência.

Além das ordens, perspectiva e proporção outra característica do Renascimento nas arquitetura foi o uso das formas geométricas, uma representação máxima disso está na construção do Tempietto pelo arquiteto Bramante em 1502.

No Cinquecento, século XVI, a Europa passava por várias transformações, suas mudanças afetaram diretamente na forma de pensar das pessoas, sendo assim as características individuais do artistas passaram a sobrepor a importância dos ideais clássicos. Essa nova fase desenvolvida entre o Renascimento e o Barroco é chamada de Maneirismo. Nesta fase apesar de presente o uso dos elementos clássicos, eles passam a ser utilizados sem a rigidez até então necessária, seu emprego surge de formas muitas vezes desconstruídas. A ideia de canonização das ordens passou a ser algo ultrapassado para os artistas. Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael Sanzio e Giulio Romano são algumas das personalidades importantes deste período.

 

 

 

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